Hoje eu acordei possuído da maior ternura por Otto Lara Resente. Otto tem sido para mim, ao longo de vinte anos de convívio, um amigo exemplar: desses que a pessoa não sabe bem o que fez para (...) Leia mais...
Suponhamos, leitor, que você acorde um dia quatro décadas atrás, no período entre 1920 e 1930 que sucedeu à Primeira Grande Guerra e onde a disponibilidade e falta de critério eram gerais: os "Gay (...) Leia mais...
É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre (...) Leia mais...
Hollywood, novembro de 1946: A noite é alta, Ciro's terminou e estamos todos - um destacado grupo de "estrelas" e "astros", entre os quais sou um modesto meteorito - na casa de Beverly Hills de (...) Leia mais...
Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais (...) Leia mais...
Abacate: Fiz certa vez para a minha série de poeminhas infantis, um sexteto sobre essa fruta de que gosto muito e que pertence, segundo me ensina o verbete de mestre Aurélio, à família das (...) Leia mais...
Abajur: Foi, talvez a primeira palavra francesa de que tive conhecimento, e ela me traz recordações tão lindas da Ilha do Governador que, ainda agora, a escrever estas memórias, tenho os (...) Leia mais...
Abismo: Havia, nos fundos do externato, um barranco perpendicular que caía do morro. Depois do recreio, alguns meninos, eu entre eles, ficavam de baixo a mirá-lo, medindo-lhe as (...) Leia mais...
Tentei, um dia, descrever o mistério da aurora marítima. Às cinco da manhã a angústia se veste de branco E fica como louca, sentada espiando o mar... Eu a vira, (...) Leia mais...
Montevidéu, maio de 1959: Tomei conhecimento da outra face da Lua - "minha velha amiga a Lua", como disse Ciro Monteiro num samba inédito que me é dedicado - ao chegar de Buenos Aires. Mirei e (...) Leia mais...
Creio firmemente que o confinamento em si mesmo, imposto a toda uma legião de criaturas pela guerra, é dinamite se acumulando no subsolo das almas para as explosões da paz. No seio mesmo da (...) Leia mais...
O almoço que tivemos outro dia, meu caro Jovem Poeta - e três poetas éramos nós em três idades da existência tão importantes como os trinta, os quarenta e os cinqüenta -, deixou-me triste. Triste (...) Leia mais...
De Garcilaso dela Vega dizia-se que era el mais hermoso y gallardo de cuantos componian la Corte del emperador. Chamavam-no, sem inveja, el amado de los dioses y su elegido. Morto com a idade de (...) Leia mais...
Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, (...) Leia mais...
A idéia ocorreu-me em março de 1967, quando ganhei pela... ésima vez, para grande prazer meu, um novo Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, de meu velho amigo Aurélio (...) Leia mais...
Também chamado familiarmente Maria, Zé Maria, Menino-Grande - Antônio Maria, que eu chamo "o meu Maria", é de longe o melhor do seu nome. Meu parente através de uma linha de Moraes de Pernambuco (...) Leia mais...
O gênio do apelido é virtude brasileira, diria quase carioca. Não conheço, em outros povos, uma tal espontaneidade na caracterização de tipos através de apelidos. Aqui no Rio, então, se o sujeito (...) Leia mais...
A notícia dada por um vespertino de que dez mil pintinhos de raça estavam sendo eletrocutados por ordem da Inspetoria Sanitária Animal do Ministério da Agricultura, por estarem contaminados de (...) Leia mais...
Arte não é só "fazer": é também esperar. Quando o veio seca, nada melhor para o artista que oferecer a face aos ventos, e viver, pois só da vida lhe poderão advir novos motivos para criar. (...) Leia mais...
E como as páginas dos jornais estivessem mais sujas de sangue que as que embrulham o peso de carne nos açougues, eu resolvi desligar e buscar um pouco de beleza no mundo. Olhei minha nova (...) Leia mais...
Eu sou um sujeito que, modéstia à parte, sempre deu sorte aos outros (viva, minha avozinha diria: "Meu filho, enquanto você viver não faltará quem o elogie..."). Menina que me namorava casava (...) Leia mais...
A insistência daqueles chamados já estava me enchendo a paciência (isto foi há alguns anos). Toda a vez era a mesma voz infantil e a mesma teimosia: - Mas eu nunca vou à cidade, minha filha. (...) Leia mais...
Elas se atarefavam, mãe e filha, nos últimos preparativos para a festinha. Iam ser uns quarenta ao todo, entre meninas e meninos, como sempre esfaimados, e a mãe não poupara nas comidas e (...) Leia mais...
Um cacho de gente pendura-se ao meu lado, do estribo do bonde descendo a Presidente Vargas em demanda da Central. Na ponta do cacho, como uma banana não prevista, um mulatinho segura-se ao bonde (...) Leia mais...
Minha seleçãozinha de ouro da Copa do Mundo de 1962 eu vos suplico que não jogueis mais futebol internacional não porque o meu pobre coração não agüenta tanto sofrimento eu juro que prefiro ver (...) Leia mais...
Depois de uma temporada como a que tive no Zum-Zum, nada melhor que esta moleza, este vago tédio em que me encontro, específicos de uma estação de águas. Cheguei, além do mais, asilando uma gripe (...) Leia mais...
Se fosses louca por mim, ah eu dava pantana, eu corria na praça, eu te chamava para ver o afogado. Se fosses louca por mim, eu nem sei, eu subia na pedra mais alto, altivo e parado, vendo o mundo (...) Leia mais...
Todo mundo, como eu, devia ter uma cobertura. Pois ter uma cobertura significa ser Capitão de Imóvel, ter uma ponte de comando de onde observar a vida, e às vezes a morte, nos imóveis de menor (...) Leia mais...
Segunda-feira última, ao entrar no Golden Room do Copacabana para a estréia do novo espetáculo de Carlos Machado, tive a mão vivamente apertada por um dos mâitres da casa, velho chapa meu. (...) Leia mais...
Ainda há pouco, a reler a página admirável de frei Luís de Sousa, cujo título, possivelmente dado pelos antologistas Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Holanda, é (se em vez de poeta ler-se (...) Leia mais...
O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de (...) Leia mais...
O rapaz vinha contente pelo aguaceiro - plact, ploct, ploct - na semi-embriaguez em que o tinham deixado umas cachaças tomadas para cortar: um mulatinho bacano e desempenado, naquela idade em que (...) Leia mais...
Todas as manhãs de sol ia para a praia, apertada num maiô azul. Por onde passasse, deixava atrás de si olhares de homens colados a suas pernas douradas, a seus braços frescos. Os fornecedores (...) Leia mais...
Quando, em 1956, eu pedi a Antônio Carlos Jobim que fizesse os sambas de minha peça Orfeu da Conceição, de onde foi extraído o filme Orfeu negro, não tinha idéia de estar dando ao jovem (...) Leia mais...
Sábado - o dia da Criação - cheguei ao Zum-Zum para fazer meu show com Caymmi e fui encontrar o baiano, como sempre, aboletado na copa, de papo com seus amigos, os garçons da boate. Paulinho (...) Leia mais...
Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à idéia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. Assim nasceu "O (...) Leia mais...
Um dos meus grandes encantos em Florença, onde, em 1952, passei cerca de um mês, era ver da janela do meu quinto andar, no Hotel Nazionale, a madrugada toscana romper sobre a piazza Santa Maria (...) Leia mais...
Depois da Guerra vão nascer lírios nas pedras, grandes lírios cor de sangue, belas rosas desmaiadas. Depois da Guerra vai haver fertilidade, vai haver natalidade, vai haver felicidade. Depois da (...) Leia mais...
Porque hoje é sábado, comprei um violão para minha filha Susana, a fim de que ela aprenda dó maior e cante um dia, ao pé do leito de morte de seu pai, a valsa "Lágrimas de dor", de Pixinguinha - e (...) Leia mais...
São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não à pátria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço esplêndido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma outra mais íntima, pacífica e (...) Leia mais...
Quem, dentre vós, já não teve vontade de ver um passarinho lhe vir pousar na mão? Quem já não sentiu a adorável sensação da repentina falta de temor de um bicho esquivo? A cutia que, num parque, (...) Leia mais...
Meu primeiro encontro, em Poesia, depois das inelutáveis influências da juventude, foi o de Murilo Mendes. A fase da imitação declinava lentamente, à medida que os poetas melhoravam. (...) Leia mais...
Um repórter me telefona, eu ainda meio tonto de sono, para saber se eu achava melhor que o Distrito Federal fosse incorporado ao estado do Rio, consideradas todas as razões óbvias, ou se preferia (...) Leia mais...
Contou-me Aloísio de Salles, na inauguração da exposição de Guignard (que ninguém deve perder, ali no Museu de Arte Moderna), que o artista ficou felicíssimo no grande dia porque o deixaram entrar (...) Leia mais...
Sete horas da manhã. Campainha na porta. - Dez minutos de água, pessoal! É a voz do seu Abel, o porteiro do meu edifício. Água quer dizer banho. Há dois dias este corpinho só vê (...) Leia mais...
Na noite do dilúvio, tentando alcançar a pé minha casa, eu me senti bêbado e louco. Caía uma tromba-d'água do céu, e tão espessa que eu mal conseguia respirar. Minhas pernas venciam a custo a (...) Leia mais...
Outro dia, meu amigo, o escritor Otto Lara Resende, estava mineirando ali na esquina de México com Pedro Lessa, quando lhe veio a vontade de tomar um "sustincau". Não sei bem o que seja um (...) Leia mais...
Domingo, quando te vi cheia no céu, sobre a Lagoa - e nunca te vira assim tão cheia - juro que morri de ciúmes, Bem-Amada. Já não eras mais moça. Os olhos mecânicos de Lunik-9, pousados sobre o (...) Leia mais...
Seamos t'dos locos Santa Teresa As pessoas que freqüentam o Café Vermelhinho, em frente à ABI - centro das jovens artes plásticas do Rio, e onde, depois das lides (...) Leia mais...
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar - e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar? E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um (...) Leia mais...
Buenos Aires, outubro de 59: já poderia - como aquele ingênuo novo-rico que gravou nos seus cartões de visita: Fulano de Tal, ex-passageiro do "Cap Arcona" - mandar colocar nos meus, se os (...) Leia mais...
Feito sobre um desenho de Carlos Scliar Meninas sozinhas, perdidas no mundo e dentro de si: eu gostaria tocar-lhes xilofone nas clavículas, harpa nas costelas, cuíca na caveira e (...) Leia mais...
Às vezes, no calor mais forte, eu pulava de noite a janela com pés de gato e ia deitar-me junto ao mar. Acomodava-me na areia como uma cama fofa e abria as pernas aos alíseos e ao luar: e em breve (...) Leia mais...
Sim, cidadãos, esta primeira crônica que vos mando da minha peqena casa fria de 635 North Saint-Andrews, Hollywood, é uma declaração, de amor à pátria. Se eu tiver que morrer, como disse o poeta, (...) Leia mais...
Vejo de minha janela uma nesga do mar verde-azul de Copacabana e me penetra uma infinita doçura. Estou de volta à minha terra... A máquina de escrever conta-me uma antiga história, canta-me uma (...) Leia mais...
A bordo do Claude Bernard, a caminho de Montevidéu - cansado de muitas emoções - casamento da primeira filha, despedida dos amigos, mais uma partida para longe do Brasil - entro às sete da noite (...) Leia mais...
Na morte de Antonio Maria Aí está, meu Maria... Acabou. Acabou o seu eterno sofrimento e acabou o meu sofrimento por sua causa. Na madrugada de 15 de outubro em que, em (...) Leia mais...
(Réquiem para Federico Garcia Lorca) Ele estava pálido e suas mãos tremiam. Sim, ele estava com medo porque era tudo tão inesperado. Quis falar, e seus lábios frios mal (...) Leia mais...
Nós costumamos ligar a idéia de morte natural apenas ao homem, como se as plantas e os animais não morressem naturalmente. E mesmo nas plantas e animais, só nos lembramos disso quando sua morte (...) Leia mais...
A propósito do IV Festival Internacional O samba já cumpriu seu cinqüentenário. Um bem bonito rol, e uma estranha parábola pois nasceu (...) Leia mais...
Da mesma forma que os monumentos históricos ou artísticos, as belezas naturais, os bailes e cafés, os parques e jardins - os casais de namorados são coisa que pertencem ao patrimônio de uma (...) Leia mais...
Outro dia, ou melhor, outra noite, estava eu sentado na minha sala diante de uma bela reprodução de Gauguin, comprada aqui em Montevidéu. A reprodução fica sobre a lareira, no centro da sala, e (...) Leia mais...
Creio ter sido em casa de Fernando Sabino, há uns vinte verões atrás que, discorrendo a conversa sobre o amor, entraram de repente os circunstantes em considerações fenomenológicas da maior (...) Leia mais...
Le jour de gloire est arrivé. A Marselhesa Na madrugada do dia 6 de junho, a pacífica travessa Santa Amélia, sita em Copacabana, foi despertada por gritos femininos (...) Leia mais...
Pois é, compadre. Você, no exagero da sua delicadeza, não quis esperar por mim, eu trançando pela Europa inteiramente por fora do que se passava. E você morrendo sua morte com essa discrição (...) Leia mais...
I / BRANCA Eu conheci Branca no colégio público, tinha por aí meus sete anos. Era a Escola Afrânio Peixoto e ficava a meio caminho da rua da Matriz. Nesse tempo a gente se deslumbrava (...) Leia mais...
Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns 13 (...) Leia mais...
Foi no cruzamento de São José com a Avenida, depois na Cinelândia, depois em Copacabana. Elas atravessavam a rua, entravam em lojas, saíam de automóveis, paravam para admirar vitrinas e aí seguiam (...) Leia mais...
Eu havia sempre laborado na arte da poesia, desde os mais verdes anos. Às vezes, em meio aos brinquedos com os irmãos, na Ilha do Governador, fugia e ia me ocultar no quarto, a folha de papel (...) Leia mais...
O que me contaram não foi nada disso. A mim, contaram-me o seguinte: que um grupo de bons e velhos sábios, de mãos enferrujadas, rostos cheios de rugas e pequenos olhos sorridentes, começaram a (...) Leia mais...
Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com freqüência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer - o que me dá um (...) Leia mais...
Conheci-a num coquetel no seu apartamento em Roma: uma mulherzinha intensa, minúscula, arredondada. Pensei imediatamente em dar-lhe um lugar de destaque na coleção de gnomos humanos de jardim, que (...) Leia mais...
Faz hoje nove anos que Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, homem pobre mas de ilustre estirpe, desincompatibilizou-se com este mundo. Teve ele, entre outras prebendas encontradas no seu modesto, (...) Leia mais...
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou (...) Leia mais...
O cronista trabalha com um instrumento de grande divulgação, influência e prestígio, que é a palavra impressa. Um jornal, por menos que seja, é um veículo de idéias que são lidas, meditadas e (...) Leia mais...
Nunca se vira manhã mais bela que a de 1.º de novembro de 1755. O Sol brilhava em todo seu esplendor, e o céu estava perfeitamente sereno e claro. Não fora sentido o menor sinal de aviso do (...) Leia mais...
Em seu Tesouro da fraseologia brasileira, o professor Antenor Nascentes, num período que talvez não seja dos mais brilhantes desse mestre do idioma, mas que, em todo caso, esclarece o assunto, (...) Leia mais...
O sol de domingo pôs na praia toda a população da zona sul. Bateu de chapa na cidade falsa, em seus falsos arranha-céus, em sua falsa comunidade, e aí pelo meio-dia as areias de Copacabana, (...) Leia mais...
Ou muito me engano (e nesse caso corrija-me o Gabinete de Meteorologia) ou foi mesmo o Vento Noroeste que se pôs desde dez horas de anteontem a soprar sobre a cidade, secando o coração das gentes. (...) Leia mais...
A gentileza humana parece ter feito seu último reduto em Portugal. E quando eu falo em gentileza, dou-lhe quase a acepção medieval de amor cortês, de medida, de mesura. É um povo que não (...) Leia mais...
Às vezes, enquanto trabalho em casa, na minha máquina, e busco no abstrato da paisagem urbana a forma do que quero dizer, acabo esquecendo de tudo para fixar minha atenção sobre os operários que (...) Leia mais...
Notre Dame de Paris, Notre Dame de Partout, rogai por mim, rogai por nós, os malferidos de amor, os feridos do doce langor, os que uivam à lua nas praias desertas do mundo, os que buscam um (...) Leia mais...
Eu, agosto de 1955: Graças à gentileza do convite de Maria Oliva Fraga, a bela guardiã do Chateau d'Eu, aqui estou eu no vasto castelo de tijolos e colunata de pedra - obra sem grande interesse (...) Leia mais...
Na hora que corre, quase todas as mulheres estão fazendo regime para emagrecer (e o advérbio representa aqui algumas poucas e honrosas exceções). O ideal da forma feminina passou a ser o (...) Leia mais...
Leio no matutino El País, de Montevidéu, uma boa crítica, ou melhor, resenha, do livro de William Strunk Jr., The Elements of Style, com revisão, introdução e capítulo adicional de E. B. White, (...) Leia mais...
Fui a São Paulo, a convite do Grêmio dos Politécnicos, bater um papo com os rapazes em sua Faculdade. Recusei-me a fazer uma palestra, pois sou homem de língua emperrada; mas os motivos para a (...) Leia mais...
Quanto tempo, meu Deus, vai-se passar ainda até que um homem, rodando por essas estradas brasileiras de conservação tão precária, mas assim mesmo tão lindas, possa-se dizer, como se diz um (...) Leia mais...
Poucos depoimentos eu tenho lido mais emocionantes que o artigo-reportagem de Oscar Niemeyer sobre sua experiência em Brasília *. Para quem conhece apenas o arquiteto, o artigo poderá passar por (...) Leia mais...
Estamos em outros tempos, mais amenos. Agosto de 1938: justo um ano antes da Guerra. O ar é tão frio que forma estalactites nas paredes do pulmão e tão fino que um piparote pode fragmentá-lo como (...) Leia mais...
A Marcos Anibal de Morais José Joaquim de Sales e Clementino Fraga Neto The world was all before them, where to chose. Their place of rest, and Providence their (...) Leia mais...
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e (...) Leia mais...
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só (...) Leia mais...
Todos são poetas à sua maneira, mas é bem possível que, se todos o fossem realmente, não houvesse mais lugar para a poesia. Porque a poesia é a amante espiritual dos homens, aquela com quem (...) Leia mais...
Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a (...) Leia mais...
A Inglaterra não foi para mim um amor à primeira vista. Ao chegar a Londres, em agosto de 1938, em gozo da primeira bolsa para Oxford, dada a um brasileiro pelo Conselho Britânico, a cidade (...) Leia mais...
Voilà la Cité sainte, assise à l'occident! Rimbaud Em dezembro de 1938, um jovem bolsista brasileiro para a Universidade de Oxford (com (...) Leia mais...
Há uma praia dentro de outra praia. Uma é a praia do Leblon, e a outra não é praia - é praia do Pinto. Há uma praia dentro de outra praia, uma onde vem bater, verde-azul, a onda oceânica, e outra (...) Leia mais...
Era a imagem de uma ruína do que antes devia ter sido um monumento de homem e portava as clássicas barbas do profeta. - Pois é - disse, limpando a boca com um gesto que acabou por levar seu (...) Leia mais...
Há mulheres altas e mulheres baixas; mulheres bonitas e mulheres feias; mulheres gordas e mulheres magras; mulheres caseiras e mulheres rueiras; mulheres fecundas e mulheres estéreis; mulheres (...) Leia mais...
(E com direito a Jorge Amado) Ao som das canções de Sarah Vaughan, dei ultimamente - embora já dele tão distanciado por tantas e tão grandes causas - de reler o poeta Rainer (...) Leia mais...
Com o próximo casamento e partida para a Europa de minha filha Suzana, andei arquitetando um meio de extorquir-lhe o meu retrato feito por Candinho Portinari em 1938, que ora lhe pertence, de que (...) Leia mais...
Esta história é verdade. Um tio meu vinha subindo a rua Lopes Quintas, na Gávea - era noite - quando ouviu sons de cavaquinho provenientes de um dos muitos casebres que minha avó viúva permite (...) Leia mais...
Na sua morte Ele era poeta como quem se afoga. Nas suas noites, sempre a poesia subitamente a vazar de encanamentos mal soldados em suas pernas e seus braços, e a invadir-lhe (...) Leia mais...
Ao acordar, naquele dia preliminar da Primavera, senti imediatamente que alguma coisa tinha acontecido de muito fundamental na ordem do mundo. Eu, homem de despertar difícil, pulei da cama tão (...) Leia mais...
Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar (...) Leia mais...
Saía o Sol sobre a Terra quando Lot entrou em Zoar. Então fez o Senhor chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. E subverteu aquelas cidades e toda a campina, e todos os moradores das (...) Leia mais...
Seu Afredo (ele sempre subtraía o l do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: "Afredo Paiva, um seu criado..."), tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de (...) Leia mais...
Hoje eu colocarei pequenas lâmpadas em todos os lírios, e acenderei os campos da Terra para que a Lua, quando nasça, pense que está bêbada, e que o Infinito virou ao contrário, e vomite sobre o (...) Leia mais...
(Na morte de Paul Éluard) Ainda tenho no ouvido tua voz grave, feita metálica pelo interurbano, a me dizer do México para Los Angeles: "Alors, mon vieux, qu'est-ce que tu (...) Leia mais...
Não têm sido poucas as tentativas de definir o que é poesia. Desde Platão e Aristóteles até os semânticos e concretistas modernos, insistem filósofos, críticos e mesmo os próprios poetas em dar (...) Leia mais...
E eu pensarei: Que bom, nem é preciso respirar Cecília Meireles Não fui ao teu enterro, Suave Amiga. Os enterros, eliminei-os de minha vida para que possa lembrar vivos (...) Leia mais...
A redação seria a coisa mais triste do mundo, não fosse a presença inesperada de Susana. Susana com seus 13 anos em flor, sua sábia beleza, seu doce e triste olhar castanho e sua perfeita (...) Leia mais...
E foi-se o ano - ano bissexto arrenegado! - ano ruim, ano safado, ano assim nunca se viu! Levou Aníbal, levou Antônio Maria, levou tanta poesia com Cecília que partiu... Levou Ari e levou Álvaro (...) Leia mais...
Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França - você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e (...) Leia mais...
Caro Deus: Não foi sem muito refletir que resolvi mandar-lhe esta, mormente agora que Você está aí a braços com o velho Churchill, de cuja resposta a um jornalista ainda me lembro, já lá vão (...) Leia mais...
Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses (...) Leia mais...
Dêem ao homem uma viola-de-amor e façam-no cantar um canto assim... "Sairei de mim mesmo e irei ao encontro das flores humildes dos caminhos e das lentas aves dos crepúsculos, cujo pipilo suspende (...) Leia mais...
É uma velha mesa esta sobre a qual bato hoje a minha crônica. Pouco mais de um metro por uns quarenta centímetros de largura. Móvel digno, com duas gavetas laterais, um verniz escuro cobria em (...) Leia mais...
Conto de Natal Fui eu próprio levar o peru - o meu primeiro! - para a sala, onde me vivaram devidamente. Vieram todos ver, entre goladas de champanha e interjeições de fome. Era, (...) Leia mais...
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