Verdade é que a imagem do poeta, meu irmão mais moço e já hoje irmão mais velho de meus filhos, com eles formando a álacre família dos Buarque de Moraes, continuo a tê-la tão presente, que a vou encontrar, não raro, nos próprios livros que minha profissão me leva a consultar. Quantas vezes me surpreendo a tentar descobri-la até naquele retrato de seu tetravô Mello Moraes (A. J. de) que tenho, junto à portada de sua História do Brasil-Reino e Brasil-Império! E você me perdoe se eu jurar, como juro, que até já encontrei alguma parecença entre os dois por trás das barbas mais que patriarcais do velho. (Não tanta, é verdade, como a que achei entre o nosso Tom e o retrato, que também tenho comigo, do Conselheiro Jobim, o qual foi médico de Sua Majestade o Imperador, que Deus guarde. Pois apesar das muitas rugas do conselheiro, ou mesmo com ruga e tudo, o que ali há, como se diz, é cara de um, focinho do outro.) Também travei algum conhecimento, menos do que com o tetravô, com um dos filhos dele, o que foi folclorista ou coisa parecida, mas deste tive muitas notícias, contadas ao Prudente e a mim pelo velho Alberto de Oliveira. Sim, pelo mesmo Alberto de Alma em Flor, que costumava chamá-lo de "Seu" Mellinho da Gávea. Creio que não é bisavô, mas já que falo em flor direi que é Mello Moraes também.
Em compensação tive o prazer de deparar, no elenco de seus avoengos, com um nome que sempre me intrigava muito, quando lia que foi o Ouvidor desta Capitania de São Paulo, já antes da Independência o que pertenceu em seguida à Junta de Governo desta dita Capitania que substituiu o Capitão-General Márquez de Alegrete. Chamava-se apenas Dom Nuno Eugênio Lossio e Seiblitz, e parece que, com esse nome solene e positivamente impronunciável, como convém a personagem de tão subida categoria, acabou indo parar em Alagoas, ou melhor, "nas Alagoas" como então se dizia. Naturalmente, com muita honra para o venerando A. J., delas natural, conforme não deixa de advertir-nos. E Eis aí como, do mesmo Seiblitz, que outrora só conhecia de nome - e que nome! - de súbito me fiz íntimo, por artes de quem recebe esta carta.
Não podendo, como não posso, escrever de autores ou, se teimasse em escrever, o resultado ficaria muito abaixo do homenageado, contentei-me aqui em contar um punhado de lembranças, que sempre guardarei, daquele que consegue sentir, e compor, e cantar e viver uma poesia das mais altas desta terra e deste tempo.
Rio de Janeiro - Brasil - Tel.: +55 (21) 2512-0055 - Fax.: +55 (21) 2511-3415 - contato@vmcultural.com.br