Poesia
Soneto de quarta-feira de cinzas
Por seres quem me foste, grave e pura Em tão doce surpresa conquistada Por seres uma branca criatura De uma brancura de manhã raiada Por seres de uma rara formosura Malgrado a vida dura e atormentada Por seres mais que a simples aventura E menos que a constante namorada Porque te vi nascer de mim sozinha Como a noturna flor desabrochada A uma fala de amor, talvez perjura Por não te possuir, tendo-te minha Por só quereres tudo, e eu dar-te nada Hei de lembrar-te sempre com ternura.
Rio de Janeiro, 1941 in Poemas, sonetos e baladasin Antologia Poéticain Livro de Sonetosin Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"
Notas