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Crônicas mostram militância pró-bossa nova de Vinicius

. 16/04/2008

Luiz Fernando Vianna
Folha de São Paulo


Reunião de textos escritos entre os anos 50 e 70, "Samba Falado - Crônicas Musicais de Vinicius de Moraes", que será lançado hoje no Rio, é um livro, em boa parte, mais curioso do que fundamental. O que há nele de imprescindível são os textos que tratam da bossa nova.

Nesses artigos produzidos entre 1959 e 1965, Vinicius se mostra um militante aguerrido, usando trincheiras como uma coluna do "Diário Carioca" para combater os detratores do que ele via como um movimento. E, também, a torcer com ardor quase patriótico pelo sucesso de Tom Jobim, João Gilberto e outros no exterior.

Hoje, com a bossa nova consagrada e diluída, essa torcida parece até boba, mas era corajosa. Vinicius ia contra o Brasil vira-lata, que não acreditava sermos capazes de produzir uma música internacionalmente inovadora, e contra os nacionalistas que acusavam a bossa nova de trair o chamado "samba autêntico".

Com esse ímpeto, travou polêmica até com o amigo Lúcio Rangel, crítico que, na revista "Mundo Ilustrado", fez restrições à sua parceria com Tom: "E o que se sente é que a dupla como que desce da sua posição "semi-erudita" para tentar alcançar as camadas nitidamente populares. Agora, soa falsa a música dos dois amigos".

Em "Carta a Lúcio Rangel", Vinicius faz uma bela defesa da liberdade de se fazer música, do ultrapassar fronteiras. Ainda assim, escreve que um compositor de Copacabana não pode ser Nelson Cavaquinho nem vice-versa. Será que não?

A discussão, enfim, tinha categorias da época, não sendo justo erguer maniqueísmos.
Rangel, aliás, faz uma tréplica interessante -que não está em "Samba Falado"- e ensina que grandes sambistas terem escolaridade não significa que samba se aprenda no colégio.

São também interessantes os perfis que Vinicius traça dos então novos da bossa. Chega a lhes fazer ressalvas duras e procura binômios: Edu Lobo como sucessor de Carlos Lyra, Francis Hime de Tom, Marcos Valle de Roberto Menescal. Nos anos seguintes, após muito estudo, Edu se firmaria como o maior discípulo de Tom.

Ao dizer, em 65, que Sergio Mendes sabia do "perigo de uma mescla [do samba com outros elementos] levada além dos limites do conveniente", Vinicius mostra como é duro escrever no calor da hora. Melhores são os textos apaixonados sobre Antônio Maria, Cyro Monteiro e Dorival Caymmi.

SAMBA FALADO - CRÔNICAS MUSICAIS DE VINICIUS DE MORAES
Editora: Azougue
Quanto: R$ 36,90 (200 págs.)
Avaliação: bom
Lançamento: hoje, às 20h, na livraria Argumento (rua Dias Ferreira, 417, Leblon, 0/xx/21/2239-5294)





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